Crônicas: José Miranda Rosa, o “Mineirinho”

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mineirinho1“Mineirinho”, um marginal que se instalou no Rio de Janeiro oriundo das Minas Gerais e que se tornou notório pela série de crimes praticados naquele estado na década de 60. No dia 29/30 de abril de 1962, participou de um violento tiroteio ao enfrentar policiais civis cariocas, quando estava com sua quadrilha no “Morro da Providência”. Conseguiu fugir com a ajuda de um bicheiro, escalando de forma cinematográfica, uma ribanceira de cerca de 30 metros de altura. Era responsável por uma série de assaltos e mortes, além de inúmeras reações violentas contra a polícia do Rio de Janeiro. No dia 29 de abril de 1962 a polícia civil obteve informações do encontro de “Mineirinho” com outros marginais, desta feita, no “Morro da Mangueira”. Os policiais em vários Fuscas e Jipes, armados com suas metralhadoras Ina e Thompsom calibre 45, além dos 38 na cintura, se deslocaram para aquela região.

“A Polícia completou, ontem, o quinto dia de perseguição a “Mineirinho”, travando demorado tiroteio com ele e quatro comparsas, que se ocultavam no barraco onde sempre morou o delinquente no morro da Favela e de onde escaparam rolando por uma ribanceira de 25 metros de altura.

Tentando fugir novamente ao cerco e com pouca munição para resistir por muito tempo, “Mineirinho” se entrincheirou debaixo de um ônibus na Rua General Pedra, na capital carioca. Foi o seu último confronto com a Polícia. Ali mesmo, debaixo do coletivo, “Mineirinho” foi metralhado por rajadas que eram disparadas de várias armas de repetição.

Foi retirado do local, pelos policiais que o jogaram dentro de uma viatura e desovaram o corpo crivado de balas às margens da estrada que liga o Grajaú ao Jacarepaguá.

O motorista Arcílio Meneses (Rua “E” no 342, Juiz de Fora) foi quem deu com o corpo atirado na mata. Parou o seu caminhão na altura da Cachoeira Grande e, depois de constatar que o homem estava morto, chamou os guardas de serviço da rodovia. Em questão de minutos, os policiais identificaram o homem que tinha uma bala na perna esquerda, três nas costas, uma no braço esquerdo, uma no pescoço, uma no punho direito, uma no braço esquerdo, quatro no peito e uma no coração. Várias delas ainda apresentavam marcas de pólvora, indicando que os tiros haviam sido desferidos à queima-roupa. Em volta do corpo não havia um único sinal de sangue, evidenciando que a morte não ocorrera naquele local. Além disso, os moradores dos barracos das vizinhanças asseguraram que ali não se travara nenhum tiroteio durante a madrugada. “Mineirinho” fora mesmo liquidado em outro lugar e removido para lá. Era o fim de José Miranda Rosa, o “Mineirinho”, marginal com 107 anos de cadeia para cumprir e vários processos nas costas. No IML houve aglomeração de mais de mil pessoas que queriam ver o corpo fuzilado do mais notório marginal da época, culminando com a prisão de outros sete criminosos no velório, que também tentaram ver pela última vez o companheiro de crimes. Também no caso de “Mineirinho”, um filme foi feito em sua homenagem, romanceando a vida bandida do criminoso. 

 

Manchetes da época:

Tombou O Inimigo Público N. 1 – “Mineirinho” Metralhado Pela Polícia. E “Mineirinho” morreu. Teve o fim de todos os seus iguais. Foi talvez, o bandido mais temível de quantos a Polícia carioca já enfrentou. A Polícia atribui o assassinato do ex-detento “a um seu rival”. O legista Nélson Capareli utilizou o corpo para dar aulas a alguns estudantes de Medicina. (“O Dia, 1 de maio de 1962”.).

Tiroteio: Polícia X Mineirinho (Diário Carioca, 1 de maio de 1962) “Mineirinho” Foi Metralhado 13 Vezes. Atirado no mato – Povo afluiu para ver bandido morto (Diário de Notícias-1 de Maio de 1962)

A Cidade Está Em Paz. “Mineirinho”Foi crivado de balas e atirado na Grajaú-Jacarepaguá. (Correio da Manhã, 1 de Maio de 1962-).

“Mineirinho” Sem Sete Vidas.

Delegado Admite Que “Mineirinho” Pode Ter Sido Morto Pela Polícia (Jornal do Brasil, 1 de Maio de 1962) “Coisa Ruim”, amigo do bandido, jura vingança – Depoimento impressionante de uma testemunha de vista do fuzilamento – Fretados lotações para curiosos verem o corpo do famoso marginal (O Dia,2 de Maio de 1962).

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